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A Internet2 e a Educação Resumo
Palavras Chaves Educação, Internet2, Tecnologia na Educação, Educação à Distâoncia. Abstract
Keyords Education, Internet2, Education Techonology, Distance Education. Introdução Quando a Internet surgiu, em 1969, apenas uma dúzia de cientistas americanos podia utilizar seus recursos. Muito pouco se sabia do que seria possível se fazer com aquela nova tecnologia e apenas uns poucos visionários poderiam prever a sua rápida expansão. Hoje, 30 anos depois, avaliamos as alterações comerciais, educacionais e até mesmo comportamentais provocadas por esta expansão. Ao longo deste período, diversas novas idéias foram surgindo e sendo incorporadas à Internet. O som, a imagem, a comunicação oral em tempo real, o broadcast, enfim; a evolução foi rápida e implacável. Com o desenvolvimento de uma nova infra-estrutura de telecomunicações, a Internet deverá sofrer um verdadeiro salto de qualidade, oferecendo recursos que atualmente são extremamente limitados. Isso deve provocar profundas transformações em como a Internet é usada na Educação. Novas mídias serão introduzidas e novas reações são esperadas tanto de parte dos educadores como dos educandos. Educação Neste século de incríveis mudanças, tudo e todos foram atingidos de alguma forma, a educação não seria exceção. Nunca houve uma demanda tão grande por escolas e pelo ensino formal, em qualquer nível. A explosão demográfica experimentada neste século provocou uma disparidade entre oferta e demanda do ensino formal. A escola não conseguiu acompanhar tão rapidamente a evolução da tecnologia na sociedade, nem em termos quantitativos, nem qualitativos. Está claro que precisamos tomar atitudes em relação à melhoria da educação em todos os sentidos. Ela precisa evoluir em tecnologia, em qualidade e em abrangência. É exasperante a constatação dos índices de analfabetismo no Brasil e no mundo, a beira do século XXI. "Não será possível aumentar o número de professores proporcionalmente à demanda de formação que é, em todos os países do mundo, cada vez maior e mais diversa. A questão do custo do ensino se coloca, sobretudo, nos países pobres. Será necessário, portanto, buscar encontrar soluções que utilizem técnicas capazes de ampliar o esforço pedagógico dos professores e dos formadores. Audiovisual, "multimídia" interativa, ensino assistido por computador, televisão educativa, cabo, técnicas clássicas de ensino a distância repousando essencialmente em material escrito, tutorial por telefone, fax ou Internet... todas essas possibilidades técnicas, mais ou menos pertinentes de acordo com o conteúdo, a situação e as necessidades do "ensinado", podem ser pensadas e já foram amplamente testadas e experimentadas. Tanto no plano das infra-estruturas materiais como no dos custos de funcionamento, as escolas e universidades "virtuais" custam menos do que as escolas e universidades materiais fornecendo um ensino presencial." (LÈVY, 1999) Seria injusto com a educação não aproveitarmos a evolução tecnológica que tanto beneficiou a indústria, o comércio, o entretenimento e produzirmos melhorias nos modos de se ensinar e aprender. Educandos e educadores, tanto no nível fundamental, médio ou superior, percebem esta necessidade. Eles convivem com um ambiente a cada dia mais interativo e multimídia, na televisão, no cinema, nos jogos. E até quando a escola vai continuar baseada em "quadro e giz"? Sabemos que apenas aumentar a quantidade de vagas não seria suficiente para melhorarmos a educação. Há muito mais a ser feito. A tecnologia permite, por exemplo, uma personalização do ensino. Onde o aluno escolhe a ordem e a quantidade de informação que deseja receber. Isto é um salto qualitativo em relação à "linha de montagem" do ensino tradicional. "As universidades e, cada vez mais, as escolas primárias e secundárias estão oferecendo aos estudantes a possibilidade de navegar no oceano de informação e de conhecimento acessível pela Internet. Há programas educativos que podem ser seguidos a distância na World Wide Web. Os correios e conferências eletrônicas servem para o tutoring inteligente e são colocados a serviço de dispositivos de aprendizagem cooperativa. Os suportes hipermídia (CD-ROM, bancos de dados multimídia interativos on-line) permitem acessos intuitivos rápidos e atraentes a grandes conjuntos de informações. Sistemas de simulação permitem aos estudantes familiarizarem-se a baixo custo com a prática de fenômenos complexos sem que tenham que se submeter a situações perigosas ou difíceis de controlar." (LÈVY, 1999) Mais uma vez, precisamos deixar a ansiedade de lado e perceber que não se trata de fazer uma opção exclusiva. Não é a escola tecnológica que vai extinguir com a escola clássica. Podemos mesclar o que temos de bom numa e na outra e criarmos um novo patamar em qualidade de ensino. Vamos trazer para dentro da escola convencional os avanços conseguidos na educação à distância. A idéia é que os dois tipos de educação, "virtual" e "presencial" se unam em uma só escola. Há muita ansiedade em torno de saber o que o computador e a Internet serão capazes de fazer pela educação. Todos, cientistas, pedagogos e administradores escolares querem produzir resultados a curto prazo. Parece que quem estuda a educação quer ver-se livre dos métodos tradicionais e substituir tudo o que se estabeleceu nos séculos passados por uma panacéia cibernética, capaz de resolver todos os seus problemas. Está certo que a área de educação é a área que mais pode beneficiar-se destas novas tecnologias. Mas a transformação está apenas começando. Vamos fazer um exercício de progressão. Sei que isso é perigoso, mas será deveras ilustrativo para comprovar uma teoria. Vamos responder a estas perguntas:
Se alguém dissesse ao seu avô, na sua juventude, que um dia ele não precisaria mais sair de casa para saber quanto de dinheiro ele tinha no banco, que ele poderia, a qualquer hora do dia ou da noite, sacar dinheiro, fazer transferências e consultar saldos em quiosques espalhados pela cidade, ele provavelmente diria que estão delirando. Pois vamos delirar em relação ao futuro. Tentemos visualizar uma escola. O que você vê? Quadro negro e giz? Nos Estados Unidos há um grande esforço oficial de se informatizar e conectar os educandos, como mostra a frase do presidente da Comissão Federal de Comunicação dos Estados Unidos, Reed Hundt: "Nosso empenho nacional em conectar à Internet cada sala de aula de cada escola do país, será o grande avanço em qualidade e igualdade de educação neste século." Na opinião de Bill Gates, os PCs podem aumentar a capacitação de professores e alunos mais do que a de qualquer outro grupo de profissionais. Ele diz ainda que os estudantes são os "profissionais do conhecimento" por excelência, uma vez que o aprendizado é essencialmente aquisição de conhecimento. Entretanto, muitas descobertas da pedagogia ainda não foram introduzidas no cotidiano das escolas. Não basta introduzir a ferramenta no ambiente onde os métodos ainda não se alteraram. A mudança não pode ser parcial. "Quando nós precisamos ver uma figura para aprender, então nós precisamos vê-la claramente. O mesmo é verdade para ouvir quando estamos aprendendo música, ou o sabor quando aprendemos a cozinhar, ou se precisamos identificar uma superfície, precisamos do toque... Aprender desta forma depende de informações de alta fidelidade. Isto significa transmitir grandes quantidades de informação em "tempo real" e para conseguirmos isso precisamos de muita largura de banda. A ironia da situação é que a sala de aula é um ambiente de "banda larga" e pode ser usada para transmitir tanta informação quanta os sentidos podem absorver. Nós a usamos ainda principalmente para aprender com palavras, que requerem pequena largura de banda." (TIFFIN). Diversas experiências se frustraram, devido à falta de preparo e de planejamento a longo prazo. "A tecnologia foi considerada uma solução a parte para um problema. Julgava-se que seria apenas uma questão de aperfeiçoá-la para poder mudar tudo. Isto é absolutamente equivocado." (HAWKINS, 1995). Segundo Pierre Lèvy "Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber. Em relação a isso, a primeira constatação diz respeito à velocidade de surgimento e de renovação dos saberes e savoir-faire. Pela primeira vez na história da humanidade, a maioria das competências adquiridas por uma pessoa do início de seu percurso profissional estarão obsoletas no fim de sua carreira." (1999) Isto é uma usina de ansiedade. Imagine-se recebendo um diploma de um curso sabendo que os conhecimentos que acabou de adquirir já estão obsoletos. Com que propriedade pode um recém formado garantir que está apto a ingressar no mercado de trabalho em uma das áreas da tecnologia de ponta? Hoje, trabalhar significa aprender constantemente , transferir conhecimento, evoluir. "Alguns dispositivos informatizados de aprendizagem em grupo são especialmente concebidos para o compartilhamento de diversos bancos de dados e o uso de conferências e correio eletrônicos. Fala-se então em aprendizagem cooperativa assistida por computador (em inglês: Computer Supported Cooperative Learning, ou CSCL). Em novos "campi virtuais", os professores e os estudantes partilham os recursos materiais e informacionais de que dispõem. Os professores aprendem ao mesmo tempo que os estudantes e atualizam continuamente tanto seus saberes "disciplinares" como suas competências pedagógicas. (A formação contínua dos professores é uma das aplicações mais evidentes dos métodos de aprendizagem aberta e à distância.)(...) A partir daí, a principal função do professor não pode mais ser uma difusão dos conhecimentos, que agora é feita de forma mais eficaz por outros meios. Sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor torna-se um animador da inteligência coletiva dos grupos que estão a seu encargo. Sua atividade será centrada no acompanhamento e na gestão das aprendizagens: o incitamento à troca dos saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem etc." (LÈVY, 1999) Internet2 A Internet2 é uma iniciativa norte-americana, voltada para o desenvolvimento de tecnologias e aplicações avançadas de redes Internet para a comunidade acadêmica e de pesquisa. A iniciativa envolve 150 universidades norte-americanas, além de agências do governo e indústria e visa o desenvolvimento de novas aplicações como telemedicina, bibliotecas digitais, laboratórios virtuais, dentre outras que não são viáveis com a tecnologia Internet atual. O objetivo final da iniciativa não é somente o desenvolvimento de pesquisas exclusivamente voltadas para a área acadêmica, mas também a transferência, ao setor comercial, das tecnologias desenvolvidas e testadas ao longo da execução dos projetos. O Brasil, através do MCT Ministério da Ciência e Tecnologia e da RNP, vem acompanhando de perto os desenvolvimentos da Internet2, tendo participado de vários encontros de trabalho de seus líderes. A participação formal do Brasil e de suas instituições de ensino superior e centros de pesquisa foi também incluída no acordo de cooperação em tecnologias para a educação, assinado em outubro de 1997, por ocasião da visita do presidente Clinton ao Brasil. Deste modo, o Brasil vai se preparando para integrar-se ao projeto Internet2, na medida em que apresente todas as condições técnicas necessárias para a sua participação. Em outubro de 1996, 34 universidades americanas reuniram-se para formar o Comitê Geral de Trabalho da Internet2. Pouco tempo depois, o governo do presidente Clinton anunciou seu apoio à iniciativa e o interesse na criação e administração da NGI Next Generation Internet. O projeto Internet2 passou a ser, neste momento, o primeiro passo (e talvez o mais importante) no novo empreendimento americano. Em janeiro de 1997, mais de 100 universidades americanas já haviam assumido compromisso formal em participar do projeto. Não há uma linha de trabalho única e pré-determinada que oriente as pesquisas das novas possibilidades de aplicações que estão sendo desenvolvidas no projeto Internet2. Ainda há muito a ser pesquisado sobre a necessidade dos usuários e o potencial das tecnologias para redes de alto desempenho. De uma forma geral, não se conhece ainda o limite do que é tecnicamente possível. Pode-se dizer, então, que o foco principal do projeto reside no desenvolvimento de aplicações avançadas com uso intensivo de tecnologias multimídia em tempo real. Diversas aplicações já estão sendo desenvolvidas na Internet2, sendo que muitas delas se encontram em fase de teste. No momento, algumas das principais linhas de pesquisa desenvolvidas para a aplicação de serviços em rede de alto desempenho são: . Bibliotecas digitais com capacidade de reprodução de imagens de áudio e vídeo de alta fidelidade; oferta de imagens de alta-resolução com reprodução quase imediata na tela do computador e novas formas de visualização de imagens digitais;. Ambientes colaborativos que englobam laboratórios virtuais com instrumentação remota; desenvolvimento de tecnologias para debates virtuais em tempo real, com utilização de recursos multimídia, em alta velocidade e de aplicação simplificada;. Novas formas de trabalho em grupo, com desenvolvimento de tecnologias de presença virtual e colaboração em 3D;. Telemedicina, incluindo diagnóstico e monitoração remota de pacientes;. Projeção de telas de computadores em três dimensões, através da utilização da ImmersaDesk (espécie de grande tela de TV que projeta as imagens em 3D);. Controle remoto de microscópios eletrônicos para pesquisas médicas.Demonstrações dos novos potenciais da Internet2 vêm sendo apresentadas em vários eventos e workshops promovidos com o intuito de sensibilizar não só a comunidade acadêmica, como também diversos setores da indústria e até mesmo o governo. Como resultado de todo o movimento de mobilização da comunidade acadêmica para a retomada da liderança no âmbito da nova geração da Internet, foi criada, em 1º de outubro de 1997, a University Corporation for Advanced Internet Development. A UCAID é uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é orientar o avanço e desenvolvimento do projeto Internet2. Esta corporação, inicialmente constituída por três universidades americanas líderes no setor de pesquisa, tem como missão orientar os estudos e descobertas relativas às aplicações em todas as áreas do conhecimento, bem como em engenharia e ferramentas para redes eletrônicas de alto desempenho.A UCAID dá uma organização formal às entidades que participam do Projeto Internet2. Os líderes das 3 maiores universidades americanas especializadas em pesquisa de redes eletrônicas formam a atual diretoria da UCAID. Cabe ressaltar que a importância estratégica e a abrangência do Internet2 foi percebida com tal intensidade pela comunidade acadêmica americana que resultou no envolvimento direto de reitores, pró-reitores e decanos na constituição da UCAID. Assim, o reitor da Universidade de Wisconsin-Madison, David Ward, lidera, como presidente da UCAID, um grupo que inclui os reitores das Universidades da Carolina do Norte, Molly Cobertt Broad, e do Estado da Pennsylvania, Graham B. Spanier. O diretor de tecnologia de informação da Universidade de Chicago, Gregory A. Jackson e M. Stuart Lynn, vice-presidente da área de recursos de informação e comunicação da Universidade da Califórnia, que são membros do Comitê Geral de Trabalhos da Internet2, também estão na diretoria da UCAID. Percebe-se, neste contexto, a marcante importância e representação das Universidades na nova corporação, através da participação de seu escalão de mais alto nível. Segundo o reitor da Universidade de Wisconsin-Madison, "a formação da UCAID representa o início de um novo capítulo no uso da computação e da tecnologia de Redes em nossas pesquisas". Ele acredita, ainda, que os trabalhos para a Internet2 aperfeiçoarão as formas de pesquisa, a educação à distância e as atividades diárias de ensino e pesquisa. O vice-presidente americano, Al Gore, manifestou, em discurso proferido em 1997, sua satisfação em ver as Universidades americanas e as empresas líderes em tecnologia trabalhando juntas para desenvolver a capacitação, produtos e serviços para a nova geração da Internet. Em 1997, a CANARIE - Canadian Network for Advanced of Research, Industry and Education, foi a primeira rede fora dos EUA a inaugurar um acordo de cooperação internacional para participação no Projeto I2. Desde então, a demanda para o estabelecimento de acordos internacionais para conexão ao Projeto I2 tem sido cada vez maior. Essa tendência tem promovido a implantação de enlaces internacionais que vão assegurar a interoperabilidade global de redes avançadas, permitindo a colaboração entre centros de pesquisa, universidades e demais instituições acadêmicas em todo o mundo para o desenvolvimento de tecnologias de rede de última geração. A participação de instituições estrangeiras na Internet2 é estabelecida através de "Memorandos de Entendimento", conhecidos como MoU (Memorandum of Understanding), ou seja, documentos que estabelecem acordos de trabalho mútuo com o objetivo de fixar metas comuns aos países ou redes participantes do Projeto. A participação dessas instituições, assim como a de membros norte-americanos, é aberta; ou seja, qualquer organização com interesse em estabelecer uma relação baseada em um MoU com a Internet2, e com condições técnicas para tal, poderá fazê-lo. Em geral, as instituições interessadas são organizações comprometidas em atingir metas similares às do Projeto I2 em seus respectivos países, além de universidades, centros de pesquisa e instituições sem fins lucrativos. A Internet2 já é uma realidade nas Universidades americanas e não tardará a ter abrangência mundial, como já acontece com a Internet "convencional". As velocidades de comunicação de dados atingidas pela Internet2 são de 155 Mbps. Cerca de 2700 vezes mais rápido que os atuais 56 Kbps. Pesquisa de opinião com alunos do ensino médio Agora que conhecemos o potencial tecnológico que está prestes a ficar disponível aos educadores e pesquisadores da educação, vamos avaliar as implicações da introdução da tecnologia em um ambiente real de aprendizagem. Esta pesquisa foi realizada com um grupo de 44 adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, alunos de uma escola particular, de ensino médio, na cidade de Varginha, em 27 de maio de 1999. Os alunos responderam a um questionário voluntariamente, sabendo que não precisariam se identificar. O questionário continha 25 perguntas de múltipla escolha. Aqui fazemos uma análise dos resultados obtidos neste questionário, que nos farão refletir sob o ponto de vista do adolescente de classe média, no final do milênio, em relação ao que o estimula e qual é o seu posicionamento diante das tecnologias que estão sendo implantadas no ambiente educacional. O grupo em questão, foi escolhido por ter a seu dispor, tanto em casa, como na escola, as tecnologias citadas no questionário. Sabemos, entretanto, que esta não é a realidade da grande maioria dos adolescentes do país. Porém, cremos que a escola pública será (embora com um enorme lapso de tempo) alvo de investimentos em tecnologia e que teremos crianças de outras classes sociais, interagindo com os elementos apresentados. Atualmente, nem mesmo boas bibliotecas estão a disposição da imensa maioria da população. Mas, aí surge uma dúvida: será que bibliotecas resolveriam o problema da educação? Será que a criança, o adolescente e o jovem se interessam por se instruir a partir de livros? Segundo os resultados da nossa pesquisa; não. A resposta seguinte ilustra bem a negativa: "Se você fosse professor, o que usaria para tornar as aulas de seus alunos mais interessantes?" Com três alternativas apenas: vídeo, computador e livros; 32% escolheram o vídeo e 68% o computador. Nenhum aluno optou pelo livro. Diante da seguinte questão: "Você freqüenta alguma biblioteca, regularmente?"; 57% disseram que não e 43% que sim. Ainda sobre o mesmo assunto, 9% vai à biblioteca mais de uma vez por semana, 16% vai uma vez por semana, 32% uma vez ao mês, 30% uma vez ao ano e 14% não responderam. Presume-se que esses últimos não vão à biblioteca nem da própria escola. Parece-nos, que o aluno adolescente apresenta uma predileção pelo aprendizado por descoberta, entretanto aluno e professor, ficam um tanto confusos em relação a como isso pode ser implementado na sala de aula. Perguntados sobre qual recurso lhes é mais interessante no aprendizado de algo novo, 18% optaram por aulas convencionais, 16% pelo recurso de fitas de vídeo, 14% optaram pelo trabalho em grupo e 48% pelo uso do computador na sala de aula, 2% fizeram uma observação que preferem aprender com música. Alguns sugeriram no questionário: "Computador com Internet". Seria um sintoma de que o adolescente quer interagir com o ciberespaço? Ou é apenas a natural atração pela novidade? Em relação ao uso da tecnologia no processo de aquisição de conhecimento, não foram constatadas muitas surpresas. O aluno gosta da tecnologia, mas não confia nela. Veja alguns sintomas:
"Você gostaria de fazer um curso através da Internet?" 84% responderam que sim. Entretanto na opção entre a Internet e a escola convencional, apenas 20% deixariam o contato com colegas e professores para estudar à distância. Também sintomática é a resposta à questão seguinte: "Se você tivesse filhos, preferiria matriculá-los em uma escola regular (86%) ou em um curso à distância (14%). A metade dos alunos acha que um curso à distância é pior que o curso convencional no qual estão matriculados; 43% acha que são iguais e 7% que são melhores. "Você acha que a Internet pode servir como uma substituta das escolas convencionais? A maioria acha que não (77%), mas já há um bom número de alunos (23%), que mesmo sem ter passado por nenhuma experiência de ensino pela Internet, acham que esta poderia substituir a escola tradicional.
Sabemos porém, que grande parte dos cursos atualmente oferecidos na Internet, são baseados em textos e exercícios, e que, por restrições técnicas, a multimídia ainda não chegou ao ensino pela Internet. Isso nos preocupa, pois 66% dos alunos responderam que seriam incapazes de aprender biologia, química, física, matemática, etc. apenas lendo textos e fazendo exercícios, sem o auxílio do professor. Talvez estes jovens estejam com uma expectativa exagerada em relação a o quê a tecnologia (a Internet, mais especificamente) poderia fazer para auxiliá-los no processo de aprendizado. Que o computador já faz parte da vida e do processo de aquisição de conhecimento desses adolescentes, não fica dúvida após este questionário. Todos eles já usam o computador; 48% às vezes e 52% diariamente. Os que passam a maior parte do tempo no computador, fazendo trabalhos de escola, são 70%, enquanto que os outros 30%, passa a maior parte do tempo jogando. Apenas 16% nunca utilizaram a Internet, enquanto que 84% usam-na às vezes ou diariamente, apesar de quase a metade deles usarem-na para bate-papo e jogos. A mídia mais usada para pesquisa é o CD-ROM; 48% possuem um CD de enciclopédia ou educacional, entretanto, nem todos os utilizam: 20% dos que os possuem. Um recurso que faz enorme sucesso na preferência dos adolescentes consultados, é a utilização do lúdico no processo educacional. Aí tivemos quase unanimidade. Em resposta à pergunta: "Você acha possível aprender brincando?", tivemos 98% de respostas afirmativas e apenas um aluno discordante. Mesmo em relação ao ensino superior, grande parte dos alunos (70%) respondeu afirmativamente à pergunta se era possível a um médico, aprender medicina brincando. Perguntados sobre até quando é necessário utilizar o lúdico no ensino, 55% responderam que por toda a vida. Ao final da análise desses resultados, pudemos concluir que, do ponto de vista do grupo pesquisado, a melhor forma de aprender é interagir. Com a máquina, com a tecnologia, com as telecomunicações, com os colegas e com os professores. Aos alunos interessa tanto o aprendizado por instrução como por descoberta. Veja o seguinte quadro: 91% dos alunos acham que o computador pode ajudar o professor a ensinar disciplinas como química, física, biologia, etc. Eles não dispensam nem um recurso, nem outro. O que pensamos que precisa haver, é a ideal comunhão entre esses elementos que estimulam o aprendizado por parte do jovem. Se o professor se aliar adequadamente aos recursos que lhe estão disponíveis, será a epifania. Conclusão A educação vem sofrendo profundas transformações em sua forma e conteúdo ao longo das últimas décadas, devido à introdução de uma série de novos fatores tecnológicos e comportamentais, tanto no âmbito nacional como internacional. A introdução do rádio, da televisão e, mais recentemente, do computador e da Internet nos meios tradicionais de educação vem provocando uma inquietação nos pesquisadores da educação. Uma série de pesquisas vem sendo feita visando adaptarem-se antigas técnicas de ensino às novas tecnologias e às novas demandas surgidas nesse período. A Internet conjuga os benefícios da informática, já largamente discutidos e estudados, com a facilidade de comunicação a custos baixos e sem limite de distância ou de tempo. A última barreira a ser derrubada é a da baixa velocidade de comunicação entre computadores, que prejudica sobremaneira a qualidade da interação entre educadores e educandos. Entretanto, a Internet está prestes a sofrer transformações profundas de ordem técnica, que permitirão o uso de novas mídias sem as atuais limitações de qualidade na transmissão de voz e vídeo. As possibilidades de difusão de conhecimento se ampliarão a curto prazo e serão baseadas em mídias mais interativas e complexas que elevarão a qualidade da Educação à Distância, permitindo uma expansão de escala e de qualidade nesta área. Este salto de qualidade exigirá dos provedores de conhecimento e de mídia um domínio maior de suas potencialidades e eficácia. Os educadores deverão conhecer quais métodos produzem os melhores resultados em determinadas situações. O que se vê nos cursos existentes baseados em Educação à Distância é que a Internet, apesar de seu grande potencial, é pouco ou má utilizada e que não existe oferta de literatura sobre resultados obtidos com o seu uso que possam amparar as instituições que ofereçam estes cursos. É preciso comprovar a validade das afirmações anteriores e promover estudos práticos da aplicação de novas mídias na Educação à Distância. Precisamos pesquisar seu potencial e seus efeitos. Tais pesquisas servirão de base para a melhoria do aproveitamento da Internet nos cursos baseados em Educação à Distância já existentes e também servirão como orientação para a implantação de novos cursos. Com estes dados em mãos, com certeza, será muito mais fácil demonstrar em que medida a Internet, a multimídia e a interatividade podem provocar o esperado salto de qualidade na Educação à Distância. Informação que será de fundamental importância quando a promessa de alto desempenho na Internet se tornar uma realidade. BIBLIOGRAFIA BROCKMAN, John e Outros Digerati. São Paulo: editora Campus, 1997 GATES, Bill A empresa na velocidade do pensamento. São Paulo: Cia. das Letras, 1999 GATES, Bill The Road Ahead. New York: Penguin Books, 1996. HAWKINS, Jan Uso de novas tecnologias na educação. 1995 LÈVY, Pierre Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. TIFFIN, John; RAJASINGHAM, Lalita In search of virtual class. Outras fontes www.rnp.br
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