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Ansiedade na Era da
Informação Ansiedade é a palavra do final do século. As pessoas estão ansiosas a respeito de onde podemos chegar com o uso de todas as novas tecnologias e como fazermos o melhor uso delas em relação à educação, ao trabalho e ao cotidiano da sociedade. Este artigo trata da informação, da comunicação, da educação e, obviamente, da ansiedade gerada pela tecnologia. HÉLIO LEMES COSTA JR. Professor da FEPESMIG/UEMG Varginha MGProfessor do Catanduvas/CNEC MG Mestrando no curso de Engenharia de Produção Ênfase em Mídia e Conhecimento da UFSC Universidade Federal de Santa Catarina Brasil PALAVRAS CHAVES Comunicação, informação, tecnologia da informação, tecnologia da educação, computador e desemprego. KEYWORDS Communication, information, information technology, education technology, computer and unemployment. ABSTRACT Anxiety is the word of the end of the century. People are anxious about where we can go using all the new technologies and how to improve education, work and the society in general. This article is about information, communication, education and obviously, the anxiety created by technology. Em apenas um século o homem revolucionou os transportes. Criou o automóvel, o ônibus, o avião, o jato, as viagens espaciais etc. Transformou os modos de transmitir a informação. Inventou o rádio, o telefone, a televisão, o fax, o satélite, a fibra ótica, o telefone móvel, etc. A população do planeta passou de 800 milhões para quase 6 bilhões de pessoas. Não conseguimos imaginar como viveríamos se não tivéssemos eletricidade para poder conservar alimentos, aquecer os lares e a água, nem mesmo os arranha-céus existiriam sem elevadores movidos a eletricidade. Não há como negar que estamos passando por uma revolução com um alcance tão grande, ou maior, que a invenção da imprensa, ou a revolução industrial. Só que muito mais veloz. A revolução industrial está ainda se processando até hoje. Ainda encontramos no interior dos países menos desenvolvidos, trabalhadores utilizando ferramentas e métodos de trabalho que foram criados há mais de 400 anos, principalmente na agropecuária. O computador representa apenas um elemento em meio a toda essa avalanche de mudanças ocorridas no século XX. Na verdade, a revolução não começou com a invenção do primeiro computador, na década de 40, ela teve início quando os meios de se difundir a informação foram se tornando populares. Por exemplo, quando o homem inventou o broadcast, ou seja, transmitir simultaneamente a mesma informação para milhões de pessoas; quando a comunicação entre duas pessoas à distância começou a ocorrer em tempo real, através do telefone; quando o homem conseguiu fazer a informação dar a volta no globo terrestre instantaneamente, através das comunicações via satélite. Essas constatações são extremamente importantes para que nos afiguremos do que se passa afinal com a ansiedade de final de milênio. As rápidas transformações incidem sobre a realidade desencadeando no indivíduo a sensação de ameaça e risco iminente. A estas sensações, correspondentes à vivência de situação real de perigo, denominamos ansiedade. O computador e a informática são elementos causadores de mudanças técnicas, culturais, econômicas e, ousaria dizer, até mesmo antropológicas. Pois ele, o computador, afeta diretamente a questão da memória e do raciocínio do indivíduo e da sociedade, a questão do registro dos fatos e idéias e, também do acesso imediato a esses registros. O homem passa a ter habilidades que nem mesmo eram cogitadas anteriormente, como se inserir em mundos virtuais, explorar a superfície de marte com um robô, realizar uma cirurgia a milhares de quilômetros de distância do paciente etc. Aquele processo de transformação, iniciado no princípio do século, agora se acelera e se difunde de maneira mais democrática. Podemos dizer que todas as funções intelectuais transformaram-se com a inserção da tecnologia da informação no cotidiano das pessoas. As pessoas compram computadores esperando tornarem-se mais sábias? Mais modernas? Bem... algumas não sabem exatamente porque o compram. Elas apenas não querem "perder o bonde" desta revolução. Há problemas a serem enfrentados para que a revolução consolide-se e, na balança, pesem mais os benefícios que os malefícios causados por ela. Já se falou demais sobre o dilema: democratização da informação versus alienação tecnológica dos "sem micro". Temos que discutir a séria questão social do desemprego, entre outros problemas. Para podermos ter uma visão mais clara do problema, vamos nos abstrair e teremos uma visão macro da questão. O computador não foi trazido por extraterrestres e inserido no planeta Terra como uma imposição externa,. nem tampouco a máquina possui vontade própria para decidir se o homem terá emprego ou não. No início da industrialização do automóvel, nenhum dos milhares de operários que trabalhavam nestas indústrias tinham condições de adquirir um automóvel. Hoje já se vê um grande número de automóveis de propriedade dos operários nos estacionamentos a eles reservados, nestas mesmas indústrias. Quantas pessoas tinham televisão na década de 50? Entretanto a primeira TV foi criada na década de 20. Ainda hoje, no Brasil, apenas aproximadamente 12% da população possui linha telefônica, uma invenção de mais de um século. Na indústria houve mudanças com a introdução da tecnologia da informação, assim também aconteceu no comércio e nos serviços. A educação passa por um período de transição que nos vai levar a novas descobertas. A máquina promoveu um aumento de produtividade que é extremamente positivo. Entretanto, pessoas que desenvolviam trabalhos manuais, repetitivos e que não exigem habilidades específicas do ser humano - como raciocínio, negociação, criatividade - puderam ser substituídas por equipamentos que fazem as mesmas atividades mais rapidamente e com maior precisão. Porém, o computador em si, não causa desemprego. Não é a máquina quem desemprega o homem, mas o homem desemprega o homem quando utiliza o computador para cortar custos e agilizar processos. Esta é uma situação irreversível tal qual a revolução industrial o foi. A técnica abre possibilidades e permite um desenvolvimento mais acelerado. Nós estamos cercados de confortos produzidos pela técnica. Tanto na cozinha de nossa casa, como no escritório onde se trabalha. O homem pode usar a técnica para aumentar as suas possibilidades e a de seus semelhantes, ou pode simplesmente substituir o homem pelos recursos técnicos. Existe uma escolha ética que pertence ao homem e à sociedade e não à máquina. Atualmente, até pela facilidade de acesso à informação, comunicação e transporte entre longas distâncias, o homem tem melhores condições de aprimorar-se. Urge que o ser humano seja dispensado do trabalho braçal, aquele que não lhe exige o uso de seu principal recurso: a capacidade de raciocinar. O homem tem que ser educado para fazer aquilo que a máquina não faz, e não o fará por um longo tempo. Há necessidade de um período para as novas tecnologias sedimentarem-se e a sociedade aprender a tirar delas o que mais lhe será útil. O que vemos é a "demonização" do computador, como agente de transformações nefastas no meio social. É lógico que é muito mais fácil acusar a máquina que reconhecer a própria culpa. É preciso regulamentar o seu uso para evitar que façam mau uso da tecnologia em benefício próprio e em detrimento da sociedade. É certo que algumas pessoas fazem-no, porém não é só porque algumas pessoas falam palavrão que a linguagem verbal tem que ser proibida ou banida. Façamos bom uso dos recursos que temos. "Eis o subtexto do que está acontecendo: estamos mudando a forma na qual os seres humanos se comunicam. Essa transição levará muito mais tempo do que as pessoas dizem; talvez cem ou duzentos anos." (BROCKMAN, 1997). Tentaremos não repetir erros já cometidos, seria bom se conseguíssemos, mas o ser humano tem a premência em antecipar o devir. Futurologia na área tecnológica é baseada em "chutes". Quando você acabar de ler o presente texto, novas tecnologias terão sido anunciadas, novos produtos terão saído dos laboratórios para as lojas, pesquisadores terão concebido novas idéias mirabolantes. Assim é a roda da tecnologia do fim/início de milênio. Um carrossel aceleradíssimo, no qual muitos querem embarcar, mas é preciso ser um atleta da informação para subir no brinquedo. É impossível ao ser humano receber e decodificar a quantidade de informação à qual é exposto o tempo todo. Há uma constante inundação de informações. As pessoas e os grupos deixam de ser receptores passivos de informação e passam a ser emissores. Estamos contribuindo para esta inundação. Roy Ascott fala, de forma metafórica, em segundo dilúvio. O dilúvio de informações. É prematuro avaliar se este dilúvio é benéfico ou não à sociedade, entretanto devemos preparar-nos, porque não há previsão de vazante. "Devemos portanto, nos acostumar com essa profusão e desordem. A não ser em caso de catástrofe natural, nenhuma grande reordenação, nenhuma autoridade central, nos levará de volta à terra firme nem às paisagens estáveis e bem demarcadas anteriores à inundação." (LÈVY, 1999). A introdução das novas tecnologias transformou sobremaneira o modo como vemos as coisas, mas isso é só o princípio. "A informação em si, é árida e comunica pouco. O grande erro com relação à informação é tomar invólucro por conteúdo. Quando começamos a transformar informação em um produto pós-Gutenberg, era fácil pensar que o produto era o livro; montamos um enorme aparato industrial para criar esses objetos, lidando com eles como lidamos com qualquer produto manufaturado. Ainda estamos concentrados na idéia de que a informação é um produto, uma propriedade, uma coisa feita de átomos, e não de bits." (BROCKMAN, 1997). O novo não vem necessariamente destruir o velho. A convivência é possível e desejável. Veja o exemplo da Amazon.com., um dos maiores exemplos de sucesso comercial na rede. É uma empresa virtual e extremamente moderna que sobrevive vendendo um produto tão antigo como o livro. É a tecnologia aliando-se à difusão da informação em todas as suas formas Alguns disseram que o conjunto computador e impressora iria acabar com o livro, que as pessoas iriam querer ler seus livros on-line. Ledo engano; a empresa provou que o livro é hoje um dos melhores negócios apesar da imprensa ter sido inventada há mais de meio milênio. O que diria Gutenberg? A Era da Informação está, inegavelmente, produzindo efeitos muito maiores que a Revolução Industrial; um tipo de "quebra" está para acontecer. "Está surgindo um novo tipo de comunidade, não uma cultura. A diferença entre uma cultura e uma comunidade é que a cultura é unilateral pode-se absorvê-la lendo-se sobre ela, observando-a -, mas, em uma comunidade é preciso investir." (DYSON, 1998). Em uma nova comunidade haverá novos métodos de comunicar-se, de divertir-se, de comprar e, obviamente, de educar-se. "Em vez de palavras áridas como as desse texto, dizem os otimistas, deveríamos enviar uns aos outros imagens, vídeos, referências para websites." (DYSON, 1998). Neste século de incríveis mudanças tudo e todos foram atingidos de alguma forma, a educação não seria exceção. Nunca houve uma demanda tão grande por escolas e pelo ensino formal, em qualquer nível. A explosão demográfica experimentada neste século provocou uma disparidade entre oferta e demanda do ensino formal. A escola não conseguiu acompanhar tão rapidamente a evolução da tecnologia na sociedade, nem em termos quantitativos, nem qualitativos. Está claro que precisamos tomar atitudes em relação à melhoria da educação em todos os sentidos. Ela precisa evoluir em tecnologia, em qualidade e em abrangência. É exasperante a constatação de analfabetismo no Brasil e no mundo, a beira do século XXI. "Não será possível aumentar o número de professores proporcionalmente à demanda de formação que é, em todos os países do mundo, cada vez maior e mais diversa. A questão do custo do ensino se coloca, sobretudo, nos países pobres. Será necessário, portanto, buscar encontrar soluções que utilizem técnicas capazes de ampliar o esforço pedagógico dos professores e dos formadores. Audiovisual, "multimídia" interativa, ensino assistido por computador, televisão educativa, cabo, técnicas clássicas de ensino a distância repousando essencialmente em material escrito, tutorial por telefone, fax ou Internet... todas essas possibilidades técnicas, mais ou menos pertinentes de acordo com o conteúdo, a situação e as necessidades do "ensinado", podem ser pensadas e já foram amplamente testadas e experimentadas. Tanto no plano das infra-estruturas materiais como no dos custos de funcionamento, as escolas e universidades "virtuais" custam menos do que as escolas e universidades materiais fornecendo um ensino presencial." (LÈVY, 1999) Seria injusto com a educação não aproveitarmos a evolução tecnológica que tanto beneficiou a indústria, o comércio, o entretenimento e produzirmos melhorias nos modos de se ensinar. Os próprios educandos, tanto no nível fundamental, médio ou superior, percebem esta necessidade. Eles convivem com um ambiente a cada dia mais interativo e multimídia, na televisão, no cinema, nos jogos. E até quando a escola vai continuar baseada em "quadro e giz"? Sabemos que apenas aumentar a quantidade de vagas não seria suficiente para melhorarmos a educação. Há muito mais a ser feito. A tecnologia permite, por exemplo, uma personalização do ensino. Onde o aluno escolhe a ordem e a quantidade de informação que deseja receber. Isto é um salto qualitativo em relação à "linha de montagem" do ensino tradicional. "As universidades e, cada vez mais, as escolas primárias e secundárias estão oferecendo aos estudantes a possibilidade de navegar no oceano de informação e de conhecimento acessível pela Internet. Há programas educativos que podem ser seguidos a distância na World Wide Web. Os correios e conferências eletrônicas servem para o tutoring inteligente e são colocados a serviço de dispositivos de aprendizagem cooperativa. Os suportes hipermídia (CD-ROM, bancos de dados multimídia interativos on-line) permitem acessos intuitivos rápidos e atraentes a grandes conjuntos de informações. Sistemas de simulação permitem aos estudantes familiarizarem-se a baixo custo com a prática de fenômenos complexos sem que tenham que se submeter a situações perigosas ou difíceis de controlar." (LÈVY, 1999) Mais uma vez, precisamos deixar a ansiedade de lado e perceber que não se trata de fazer uma opção exclusiva. Não é a escola tecnológica que vai extinguir com a escola clássica. Podemos mesclar o que temos de bom numa e na outra e criarmos um novo patamar em qualidade de ensino. Vamos trazer para dentro da escola convencional os avanços conseguidos na educação à distância. A idéia é que os dois tipos de educação, "virtual" e "presencial" se unam em uma só escola. Há muita ansiedade em torno de saber o que o computador e a Internet serão capazes de fazer pela educação. Todos, cientistas, pedagogos e administradores escolares querem produzir resultados a curto prazo. Parece que quem estuda a educação quer ver-se livre dos métodos tradicionais e substituir tudo o que se estabeleceu nos séculos passados por uma panacéia cibernética, capaz de resolver todos os seus problemas. Está certo que a área de educação é a área que mais pode beneficiar-se destas novas tecnologias. Mas a transformação está apenas começando. Vamos fazer um exercício de progressão. Sei que isso é perigoso, mas será deveras ilustrativo para comprovar uma teoria. Vamos responder a estas perguntas:
Se alguém dissesse ao seu avô, na sua juventude, que um dia ele não precisaria mais sair de casa para saber quanto de dinheiro ele tinha no banco, que ele poderia, a qualquer hora do dia ou da noite, sacar dinheiro, fazer transferências e consultar saldos em quiosques espalhados pela cidade, ele provavelmente diria que estão delirando. Pois vamos delirar em relação ao futuro. Tentemos visualizar uma escola. O que você vê? Quadro negro e giz? Nos Estados Unidos há um grande esforço oficial de se informatizar e conectar os educandos, como mostra a frase do presidente da Comissão Federal de Comunicação dos Estados Unidos, Reed Hundt: "Nosso empenho nacional em conectar à Internet cada sala de aula de cada escola do país, será o grande avanço em qualidade e igualdade de educação neste século." Na opinião de Bill Gates, os PCs podem aumentar a capacitação de professores e alunos mais do que a de qualquer outro grupo de profissionais. Ele diz ainda que os estudantes são os "profissionais do conhecimento" por excelência, uma vez que o aprendizado é essencialmente aquisição de conhecimento. Entretanto, muitas descobertas da pedagogia ainda não foram introduzidas no cotidiano das escolas. Não basta introduzir a ferramenta no ambiente onde os métodos ainda não se alteraram. A mudança não pode ser parcial. "Quando nós precisamos ver uma figura para aprender, então nós precisamos vê-la claramente. O mesmo é verdade para ouvir quando estamos aprendendo música, ou o sabor quando aprendemos a cozinhar, ou se precisamos identificar uma superfície, precisamos do toque... Aprender desta forma depende de informações de alta fidelidade. Isto significa transmitir grandes quantidades de informação em "tempo real" e para conseguirmos isso precisamos de muita largura de banda. A ironia da situação é que a sala de aula é um ambiente de "banda larga" e pode ser usada para transmitir tanta informação quanta os sentidos podem absorver. Nós a usamos ainda principalmente para aprender com palavras, que requerem pequena largura de banda." (TIFFIN). Diversas experiências se frustraram, devido à falta de preparo e de planejamento a longo prazo. "A tecnologia foi considerada uma solução a parte para um problema. Julgava-se que seria apenas uma questão de aperfeiçoá-la para poder mudar tudo. Isto é absolutamente equivocado." (HAWKINS, 1995). Segundo Pierre Lèvy "Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber. Em relação a isso, a primeira constatação diz respeito à velocidade de surgimento e de renovação dos saberes e savoir-faire. Pela primeira vez na história da humanidade, a maioria das competências adquiridas por uma pessoa do início de seu percurso profissional estarão obsoletas no fim de sua carreira." (1999) Isto é uma usina de ansiedade. Imagine-se recebendo um diploma de um curso sabendo que os conhecimentos que acabou de adquirir já estão obsoletos. Com que propriedade pode um recém formado garantir que está apto a ingressar no mercado de trabalho em uma das áreas da tecnologia de ponta? Hoje, trabalhar significa aprender constantemente , transferir conhecimento, evoluir. "Alguns dispositivos informatizados de aprendizagem em grupo são especialmente concebidos para o compartilhamento de diversos bancos de dados e o uso de conferências e correio eletrônicos. Fala-se então em aprendizagem cooperativa assistida por computador (em inglês: Computer Supported Cooperative Learning, ou CSCL). Em novos "campi virtuais", os professores e os estudantes partilham os recursos materiais e informacionais de que dispõem. Os professores aprendem ao mesmo tempo que os estudantes e atualizam continuamente tanto seus saberes "disciplinares" como suas competências pedagógicas. (A formação contínua dos professores é uma das aplicações mais evidentes dos métodos de aprendizagem aberta e à distância.)(...) A partir daí, a principal função do professor não pode mais ser uma difusão dos conhecimentos, que agora é feita de forma mais eficaz por outros meios. Sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor torna-se um animador da inteligência coletiva dos grupos que estão a seu encargo. Sua atividade será centrada no acompanhamento e na gestão das aprendizagens: o incitamento à troca dos saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem etc." (LÈVY, 1999) Você sabe qual é o diâmetro do cano que abastece a sua caixa dágua? Você sabe quantos litros de água por segundo são despejados no seu reservatório? Você sabe qual é a espessura dos fios que entregam a energia elétrica no medidor de eletricidade da sua casa? Provavelmente não. E a maioria das pessoas comuns não sabem. Entretanto, kilobytes por segundo, fibra ótica, 56 Kbps, são assuntos de mesa de botequim. Enquanto esses recursos forem escassos e problemáticos eles não estarão com naturalidade no nosso cotidiano. O homem ainda não se acostumou com esta tecnologia. Ela ainda não é ubíqua (o termo "computação ubíqua" foi sugerido por Mark Weiser em 1988); ou seja, imperceptível. Weiser, cientista de computador e diretor de tecnologia do Palo Alto Research Center afirmava que os computadores deveriam sumir dentro dos objetos que nos rodeiam, tanto no escritório como em casa. Só assim, dizia ele, o usuário poderia libertar-se da metáfora da mesa de trabalho, que caracteriza a nossa interação com a maioria dos computadores. Essa idéia estranha para a época incentivou estudos no centro de pesquisas de Palo Alto que resultaram em experimentos interessantes, como a informatização de cafeteiras elétricas, impressoras e copiadoras. Os objetos então se tornariam "inteligentes", participando da sua vida e auxiliando-o sem que você nem mesmo se dê conta disso. Nos projetos de pesquisa de Weiser, as pessoas viveriam cercadas por uma rede computacional invisível e inobstrusiva no ambiente de trabalho. A tendência é de que a tecnologia incorpore-se ao dia-a-dia assim como a água está presente em muitas das atividades cotidianas sem que façamos nenhum ritual para utilizá-la. Há sempre uma expectativa exagerada em relação a o que o computador e a Internet podem fazer pela melhoria de vida das pessoas. Precisamos pensar a longo prazo. Como será o emprego dos meus netos? Como será a escola deles? Há que se reduzir a ansiedade e cultivar o zelo pela qualidade da educação independentemente da tecnologia envolvida no processo. "As pessoas estão tão sintonizadas no curto prazo que não estão pensando em termos de décadas. Contudo, a longo prazo, temos uma chance de mudar fundamentalmente a humanidade." (BROCKMAN, 1997). Finalmente, o que vai sobressair, não é o computador mais rápido ou o canal com maior largura de banda. "Há um foco exagerado na tecnologia no setor, uma obsessão pela largura de banda e pelos browsers mais recentes. É muito mais importante criar uma experiência interativa mágica, onde a tecnologia atua como elemento capacitador. A criatividade humana é o que realmente nos guiará." (BROCKMAN, 1997). BROCKMAN, John e Outros Digerati. São Paulo: editora Campus, 1997 DYSON, Esther Release 2.0. São Paulo: Editora Campus, 1998 GATES, Bill A empresa na velocidade do pensamento. São Paulo: Cia. das Letras, 1999 GATES, Bill The Road Ahead. New York: Penguin Books, 1996. HAWKINS, Jan Uso de novas tecnologias na educação. 1995 LÈVY, Pierre Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. NEGROPONTE, Nicholas A vida digital. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. TIFFIN, John; RAJASINGHAM, Lalita In search of virtual class. Outras fontes Jornal O Globo 10 de maio de 1999. Varginha, 31 de Maio 1999 Hélio Lemes Costa Jr. |